Karina e Matheus sentados assistindo um filme, apenas uma comédia romântica, ela chora e ele se estraga de tanto rir. Nessa pequena cena que acontece tantas vezes na vida desse casal já podemos saber o que se passa, não é mesmo? Não que o problema esteja em assistir uma comédia romântica e achar graça e romance, afinal é para isso que elas existem, o problema do casal é a sua inexistente sintonia.
No começo os amigos apoiavam, uns diziam que a relação entre pessoas tão diferentes poderia ser benéfica, ambos iriam aprender bastante! Há os que exageravam dizendo que eles poderiam ser perfeitos como casal um complementando o outro! Contudo os que mais irritavam o casal eram aqueles que mantinham o antigo clichê “os opostos se atraem”. No inicio ela até gostava de ter alguém com gostos tão diferentes como os seus. Achava que podia aprender muito nessa relação. Tadinha... Se esqueceu que nem sempre o amor é uma escola onde se aprende alguma coisa, todo o mundo sabe... Na maioria das vezes não recebemos um diploma por amar.
E as coisas só pioravam, ela começou a percebeu que não poderia ser mulher com ele, não que Matheus fosse efeminado na relação, ela só não poderia esperar nele a coisa que a maioria das mulheres espera do homem, a confiança e a segurança. A verdade era que Karina era uma dondoca, porém nunca demonstrava sua fragilidade para Matheus. Isso era resultado do medo que ela sentia em perdê-lo. O medo que fazia com que ela fosse forte. Ele acreditava nessa força dela e só por isso continuava fraco, mas na certa se ela não demonstrasse tamanha força ele não seria fraco.
Puderam perceber como era a tensão? Um pequeno sinal poderia fazer com que o mundo deles caísse. Mas um dia seria inevitável, uma hora eles teriam que sabe de toda a verdade e mal sabiam que estava tão próximo.
Agora voltemos à cena anterior, aquela deles sentados assistindo uma comédia romântica. Ela chora, esconde suas lágrimas rapidamente para não despertar a sua fragilidade e ele rindo sem a menor intenção de esconder as gargalhadas. Eles assistiam ao filme “Como se fosse a primeira vez”. Karina era uma menina esperançosa, no fundo ela desejava que Matheus visse nela uma menina que quer proteção e mesmo assim continuasse com ela. E logo perguntou o que ele achou do filme, ele sem saber da intenção oculta da pergunta, disse que era uma comédia como todas as outras, então deram um longo beijo e se despediram. Para Karina esse era um filme muito lindo, diz justamente o que ela quer... Um amor repetido e feliz para sempre. Pensou nisso durante um tempo e como seria se estivesse com Matheus e tivesse que mentir todo o dia a mesma mentira para ele, isso seria a infelicidade e era justamente isso que estava acontecendo.
Com Matheus aconteceu diferente, ele pensava na pergunta sem sentido que Karina fizera a ele. Sinceramente era difícil para ele tentar interpretar todos os sinais ocultos, era como se falassem duas línguas diferentes e infelizmente para eles não existia um interprete ou um dicionário ao menos.
No final de semana Karina iria para uma excursão da igreja com as moças, seria o primeiro final de semana que passariam separados depois de 2 anos. Mesmo sem querer Matheus não deixava de pensar nas noitadas de solteiro e nos rostos sem nome das micaretas. Ele estava decidido iria terminar para ficar com ele.
Karina apesar das reflexões do dia anterior de inicio terem atormentado o seu sonho conseguiu dormir em paz, pois um pouco antes de dormir lembrou de quando Matheus falou que a queria e de como essas palavras ficaram tão raras esses últimos meses.
- Ahhh seria maravilhoso poder ouvir isso todos os dias – dizia suspirando.
Essa seria a sua felicidade.
Lá estava ela sentada na poltrona e Matheus do lado de fora. Quando ele chegou, ela já estava dentro do ônibus, não puderam dar o ultimo beijo como ele programou. Mas não queria ser cachorro ele não queria trair a menina. Então com o ônibus já em movimento pode gritar:
- Eu não te quero! Eu não te quero!
- Eu também! – Repetia Karina sorridente.
Foi assim que passaram o melhor final de semana de todos os 2 anos. A distância pode fazer com que eles se entendessem ao menos uma vez, cada um da sua maneira.