Sunday, September 12, 2010

Diálogo entre operários

De repente João percebeu que no seu sapato havia uma formiga operária esbarrando a cabeça nele. Ele achou muito estranho, mesmo sabendo que as formigas eram meio tontas por quase sempre insistirem no mesmo caminho. Ele então resolveu tirar o pé e deixar ela seguir o caminho que quisesse.

A formiga operária pensou que João fosse como seus outros companheiros e que com um simples toque nas suas antenas (ou sapatos no caso dele) ele entenderia a mensagem. Então ela decidiu falar bem na orelha dele.

- Dia difícil, não é mesmo companheiro? - Puxou papo a formiga.

Surpreso, João. Concordou de imediato para encurtar o diálogo com a formiga.

- Mas fala lá, o que você deseja, formiga? Tenho que ir trabalhar.

- Estou vendo, como você se preocupa tanto com o seu trabalho. Sabe companheiro a vida não é só isso!

- E não foi você que falou isso para o gafanhoto!

- Eu? Se você quer se iludir e se defender com isso, tudo bem.

- E tem mais! Quem é você, sua tola? Você vive andando em filas e se um se perde não sabe por onde ir! - Se gabou João

- Alto lá, companheiro! Pelo que tenho visto vocês andam em mais filas do que nós, não é verdade?

- Andamos em fila pela necessidade, pois temos que pagar nossas contas, receber o nosso tão soado salário e essas coisas que você nunca saberá!

- Assim eu espero! - Suspirou a formiga - Companheiro operário, eu entendo o motivo do meu nome, mas e você porque te chamam de operário?

- Ora, tola formiga. Eu sou o símbolo do trabalho e esforço duro do novo século! Construo coisas que você não imagina!!!

- Que interessante! Me conte uma dessas coisas!

- É claro! Essa semana eu com meu ajudante construímos um muro e eu pintei uma casa inteira!

- Que legal! Você deve ficar muito satisfeito em poder morar numa casa assim, não é mesmo?

- Não seja tola novamente! A casa foi para o Doutô Fernando e não para mim! Se fosse para mim, como você acha que eu ganharia meu salário??

- Sabe João, sou operária por pensar no bem comum. Carrego folhas para construir o meu lar com os meus amigos e não para ganhar uma folha sem valor, pois se não for para servir a comunidade do que vale essa folha-dinheiro? Andamos em fila para ajudar um ao outro e não para pagar para outro ou simplesmente receber de outro. Fico triste por ver você assim e tem... plaft.

João não aguentou ouvir mais e preferiu dar um tapa na sua própria orelha e acabar com essa voz que incomoda.


Tuesday, June 22, 2010

Pétroleo por Comida ou breve relato sobre a atual "sede" por petróleo


Meus amigos, apesar de parecer absurdo esse título não foi dado por mim, mas sim pela ONU para um programa criado em 1996 que tinha o objetivo de permitir que o Iraque vendesse petróleo para o mercado mundial em troca de comida e remédios. Só para relembrar essa imposição da ONU, ops me desculpem essa "ajuda" da ONU foi devido a Guerra do Golfo corrida em 1990, conforme artigo de Andrew Patrick que retrata um pouco sobre a Guerra do Golfo "Naquela ocasião, os EUA, avançaram rumo ao Oriente Médio apoiados pela ONU e pela opinião pública mundial, chocados pela sanha beligerante de Saddam, que apenas dois anos antes havia assinado um cessar-fogo com o Irã após uma guerra que durara oito anos e deixara um milhão de mortos, e pelas consequências de tal invasão na economia mundial. Em pouco tempo, os EUA, então comandados por George Bush derrotaram o exército iraquiano e devolveram a soberania ao Kuwait. Contudo, mesmo com a vitória acachapante a ONU e os EUA decidiram manter o embargo que desde a invasão ao Kuwait estrangulava a economia iraquiana. Alegava-se que as más condições de vida levariam o povo a se revoltar e fizesse aquilo que o exército norte-americano não fez: derrubar Saddam Hussein." No entanto quem sofreu o impacto desse embargo não foi o Saddam, que só ganhou mais apoio popular, mas sim a população que sofreu sem ter o que comer ou sem ter remédios para se tratar devido ao embargo da ONU.


Anos depois o EUA continuou a sua briga invisível em busca do cada vez mais invisível lucro e conseguiu o que queria: o Iraque ou melhor dizendo o petróleo do Iraque. No entanto essa guerra causou impactos em ambos países, chegando a 3.987 os soldados norte-americanos mortos no Iraque e a ao menos 29.314 os feridos, pelo menos 6 mil suicídios e três trilhões de dólares emprestados pela bondosa receita federal norte americana (vejam Zeitgeist), no Iraque tivemos mais de um milhão de mortos e quase 1/4 da população iraquiana morreu ou está refugiada como consequência da ocupação.

Como vocês podem perceber é uma guerra que não tem preocupação humanitária como todas as guerras, aliás quando o fim é o lucro nada importa, certo?

Gostaria de chamar atenção ao mais novo capítulo da atual situação do petróleo, pois como todos sabem recentemente tivemos um desastre ambiental no México envolvendo essa poderosa industria. Em 15/05/2010 saiu uma matéria no Estadão sobre o petróleo no Iraque informando que o país voltará a produzir e exportar. Atualmente o país tem uma capacidade de 2,6 milhões de barris por dia, mas no ano passado o Iraque "celebrou" dez contratos de exploração com o objetivo de produzir 12 milhoões de barris em 2017. E o que mais me surpreendeu ao ler essa matéria foi que uma das empresas que estava lá é a BP, empresa que está envolvida no caso desatre do México. A empresa gastou cerca de 1 bilhão de dolares em tentativas que até o momento não deram certo.

O fato é que o preço do barril caiu bem pouco após o desastre e mesmo assim não é um dos piores preços, na verdade é até relativamente alto se comprarmos com o período de crise em 2009. Quando a poeira baixar e a demanda explodir (com todo o perdão do trocadilho) quem deterá as maiores fontes de pétroleo? Não vamos defender a produção dessa energia, vamos tirar o lápis de trás da orelha e calcular um pouquinho... Essa cruzada em busca do petróleo já custou muito ao Tio Sam, e daí vem a pergunta porque ele e seus amigos de playground que já gastaram cerca de 3 trilhões e mais esse bilhãozinho da BP não se juntam para a exploração de energias como a eólica ou a solar?

Eles já mataram pessoas e agora estão conseguindo acabar com o lar de vários animais. E ainda querem o pré-sal aqui....


Anexo:


















Fontes:

http://www.socialismo.org.br/portal/internacional/38-artigo/317-cinco-anos-da-invasao-norte-americana-no-iraque

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,vazamento-no-golfo-do-mexico-e-pior-desastre-dos-eua,559154,0.htm

http://www.acionista.com.br/graficos_comparativos/indicadores_mercado.htm

http://www.agenciafinanceira.iol.pt/economia/petroleo-brent-iraque/1162916-1730.html

http://www.urutagua.uem.br/015/15traumann.pdf

Thursday, January 14, 2010

Efeito Borboleta (Existencialismo X Behavorismo) + um pouco de Pequeno Príncipe

Efeito Borboleta

Sinopse:
Evan é um rapaz que teve certos problemas de memória quando garoto. Já crescido, ele descobre uma capacidade de poder viajar pelo tempo através desses buracos em suas lembranças. Ele utiliza desse poder para poder ficar com a garota dos seus sonhos, porém, isso o insere em um ciclo que, a cada vez que ele utiliza esse poder, algo de muito ruim acontece a alguém querido de sua vida. Evan tenta então, voltando sempre no tempo, salvar as pessoas, mas por mais que se esforce, alguém sempre vai sair perdendo.

Bem, acho que todo ou quase todo mundo já ouviu/viu esse filme. Passou ontem mesmo na Globo! Eu até tenho esse filme em casa, mas enfim o "efeito" com todo o perdão do trocadilho... que causa em mim é impressionante. Após uma conversa ao tel com a bela dama resolvi fazer esse post sobre esse filme e outras coisas mais....


Então ela me falou sobre duas correntes filosóficas:

Existencialismo
Esta corrente procura analisar o homem como indivíduo, e é ele quem faz sua própria existência. Percebe-se assim, a preocupação em explicar o sentido das vidas humanas de uma forma subjetiva, ao invés de se preocupar com verdades científicas relativas ao universo, que fora o centro de outras correntes filosóficas.

Podemos ver isso no filme, pois em raros momentos o personagem principal tem a sua vida interferida por outros fatores, pelo contrário é ele quem faz/refaz o próprio destino.

Behaviorismo
Bem resumido é a corrente onde para cada grupo de estímulos o indivíduo produz um comportamento diferente e, de certa forma, previsível.

Nem preciso comentar sobre isso no filme, né? Caramba que agunia que dá quando ele fica sem os braços! rs

Enfim, fiquei pensando sobre isso e qual o bater de asas que mais interferiu na minha vida e sem dúvida foi ter conseguido um emprego na Kadinho Sports (sim eu trabalhava nnuma loja de artigos esportivos!! rs). Foi um emprego simples, mas que me possibilitou pagar o pré-vestibular, conhecer bons amigos, entrar na faculdade e mais tarde conseguir um outro emprego um kadinho melhor. E simplesmente é estranho você pensar que um convite de um vizinho mudou a minha vida dessa maneira. Caramba, quantas pessoas eu interferi ou mudei com um ato?





E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? Perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
- Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer “cativar”?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos d uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
...Mas a raposa voltou a sua idéia.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando tiveres me cativado. O trigo, que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
E a raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! Disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? Perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mau-entendidos. Mas, a cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração...É preciso ritos...
... Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! Disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais a minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativaste a ninguém. Sois como era minha raposa. Era uma igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Agora ela é única no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é porém mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob uma redoma. Foi a ela que eu abriguei com o paravento. Foi dela que eu matei as larvas ( exceto duas ou três borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
-Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que fez tua rosa tão importante.
-Foi o tempo que perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não deve esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar



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