1. Após os longos cantos de parabéns, enfim todos foram para casa. A frustração aumentava, Paulo sabia que estaria a sós com o seu brinquedo, mas mesmo assim ele não poderia brincar como queria. Interminável noite, a criança com os olhos atentos no seu presente, se remexia e se revirava quanta angústia! Tudo porque ele temia que quando fosse brincar com o soldado alguém acordasse. Tentou dormir, mas seus pensamentos estavam voltados para outro lugar tão turbulento que nem os sonhos ousariam acalmar. Acho que é verdade... Quando tentamos acalmar os nossos pensamentos o corpo não consegue acompanhar e se rende.
2. Logo de manhã foi acordado pelo seu até então colega. Logo de manhã, manhã bem cedo para falar a verdade, só um colega para aparecer em horário tão impertinente, mas vou adiantar para você, essa será a única impertinência desse colega na história aqui citada, contudo nem por isso ele não exerce um papel importante, talvez não tanto para receber um nome, mas mesmo assim vamos dedicar às palavras de hoje unicamente para conhecermos melhor esse garoto. Infelizmente nem toda criança é afortunada como Paulo, seu colega não tem brinquedos e isso para as crianças é um sinal de má sorte. Às vezes parece que a vida é feita dessas brincadeiras, uma coisa tão tola como simples brinquedos podem definir uma espécie de classe social para as crianças, e o pior é o resultado disso, um ciclo que o colega de Paulo entra:
1) Para andar junto com todas as crianças o amigo sempre dá a mesma desculpa, fala que vai ganhar um brinquedo super novo e muito legal, nessa fase ele andará cercado de amigos por todos os lados, ilhado na sua mentira.
2) Após as primeiras semanas alguns vão se afastando, podemos chamar esses de zombadores, preferem perder a esperança no novo possível brinquedo do menino, desacreditados eles ficam cuspindo piadas e tentam puxar o restante do grupo para dar uma última cusparada.
Apenas duas fases que já duram certo tempo! Por sorte/azar as crianças tem uma memória fraca e acabam sempre esquecendo e acabam sempre zombando, pobre.
3. É chegado o momento, agora só resta um, Paulo, de principio teria tudo para não dar certo, afinal o que um teria para oferecer para o outro? É justamente no silêncio dessa pergunta que deveria residir o verdadeiro sentido da amizade.
Ele passou no corredor, já com a cabeça baixa e apressando o seu passo para que ninguém pergunte novamente sobre o presente do pai. Do outro lado ele bebe água, pensando distraidamente na grande festa que vai dar logo mais, já chamou quase todo mundo. Ao ver quem está no bebedouro aperta o passo. Aperta o passo. Até o encontro parecer inevitável. Até o desencontro parecer impossível. Assim ele foi convidado para a festa de Paulo e assim Paulo chamou o menino para a sua festa.
Continua...
2 comments:
Pois bem...
Agora o menino arranjou uma quase amigo...o que será de seu brinquedo? Vai ser capaz de dividir?
Aguardando...
"Quando tentamos acalmar os nossos pensamentos o corpo não consegue acompanhar e se rende."
Nem preciso comentar ^^
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