Ultimamente voltei a ler HQ’s, virou um vicio muito gostoso poder voltar ao mundo da infância e reencontrar velhos personagens. Pode parecer um hobby de nerd, e de fato é...rs. Mas é uma viagem muito gostosa que estimula a imaginação, criatividade e tá... essa é uma forte desculpa para justificar um homem de 26 anos com uma HQ na mão. Mas enfim, o mais legal de voltar a ler é a releitura que você passa a ter dos personagens e é isso que me fez escrever esse post. E para iniciar a nossa série sobre as HQ’s começo com o amigo da vizinhança o espetacular Homem-Aranha!!
Não vou fazer uma análise completa sobre o personagem, vou procurar focar no dilema moral que volta e meia retorna nas histórias do aranha. Esse dilema está em torno principalmente de uma das falas do Tio Bem “com grandes poderes vem grandes responsabilidades”.
A base da moral de Peter
Se você tivesse grandes poderes o que faria? Ajudaria todo mundo? Mesmo? Com o Peter não foi assim, no último filme que relançou o aranha na telona, ao receber o poder e podendo combater o crime o jovem Peter vira a cara e não faz uso do poder para o bem. A última chance, vc realmente ajudaria todo mundo?
Saindo um pouco do mundo dos quadrinhos e indo para a filosofia (não pare de ler, prometo que não ficará tão chato). Encontrei uma relação do Immnuel Kant ou simplesmente Kant (para aqueles que tem preguiça em pesquisar o primeiro nome no Google). Kant acredita que a moral não pode receber os seus princípios da experiência humana. Ou seja, o nosso aranha estaria totalmente errado na visão do Kant, pois ele só começou a combater o crime, depois da experiência de assassinato do Tio Bem por um bandido. E realmente, podemos perceber no comportamento do nosso herói que ele não se sente o dono da moral enquanto está buscando a sua vingança, ele ainda não encontrou a moral na razão.
Mas seria possível encontrar essa razão pura? O fato é que capítulos para a frente o Aranha entre em outro dilema de Kant
Homem Aranha x A Lei Universal
Algumas páginas para a frente o Aranha enfrenta vários bandidos em busca de vingança e não consegue encontrar nem o bandido e nem a paz de espírito. E somente depois de ter plena consciência do que ele é capaz de fazer pela vizinhança e de como ele pode ajudar e inspirar as pessoas é que ele começa a lutar pelas razões corretas.
“[...] devo proceder sempre de maneira que eu possa querer também que a minha máxima se torne uma lei universal.”
De maneira geral o que Kant quis dizer é que ao pensar se deve ou não fazer algo, precisa primeiro refletir se deseja que a sua ação se torne uma regra universal. Em caso positivo, ele deve seguir em frente.
Numa das histórias recentes a cidade de Nova York é infestada com o vírus que deixa muitas pessoas com poderes semelhantes ao do homem-aranha e é muito interessante observar como foram as ações de alguns. Os primeiros a fazerem uso do poder foram os malvados, talvez pela experiência passada em se sentir feliz fazendo o mal, eles não tenham travas morais (olha oq o Kant disse presente aí) e somente depois de um discurso do Peter (sem a sua habitual máscara) faz algo na frente das TV’s contra os bandidos e torna a atitude dele uma lei universal é que mais pessoas do bem se juntam a ele. Demais, não é?
Com grandes poderes vem grandes responsabilidades
Tio Bem até parece que estava citando Kant ao falar sobre isso. Mas Peter, como falamos antes não entender muito bem o que é o dever dos poderes e sai por aí em busca de uma vingança. Sem pensar nem um pouco nos motivos que estavam o levando a fazer tal ato. Sem dúvida é difícil compreender a ação moral da pessoa e muitas vezes somente ela sabe dizer de fato se está agindo moralmente. Pois foi justamente isso que o nosso herói percebeu, somente quando ele deixou a sua vingança morrer dentro de si e ressuscitou como herói que queria fazer o bem e evitar mais mortes é que ele agiu com moral. Uma moral aracnídea, mas que já estava muito bem descrita por Kant.
Ben, é por isso que eu gosto tanto do Homem-Aranha, não por causa do Kant...rs. Mas sim pq ele tem um pensamento muito mais próximo do humano, ele não simplesmente escarrou para o lado, bateu no peito e disse SOU HERÓI, ele lutou contra, zuou por aí com os poderes, agiu por impulsou para se sentir herói e somente depois de pensar no que ele poderia ser bom e como ele inspiraria as pessoas a serem como ele, é que ele agiu moralmente. É isso amiguinhos, espero que tenham gostado e vivas ao amigo da vizinhança!!




1 comment:
Nunca tinha pensado no Spider-Man nesse ponto de vista, como alguém que foi batendo nas laterais da pista até que conseguiu endireitar o carro para seguir em frente. Mas esse pensamento realmente faz sentido, pelo menos para esse último Homem Aranha dos cinemas.
Um outro personagem que reflete muito isso (e já saindo da linha dos quadrinhos), é Francisco de Assis. Como filho de um mercador ele era um típico "playboy" da sociedade, com direito às festas e até a lutar nas Cruzadas.
Com o tempo, no entanto, ele percebeu que tudo aquilo que vivia era algo muito mais próximo de um instinto primitivo e não de um sentimento (algo que pode ser relacionado à uma escala mais alta da evolução). A partir daí, começou a se descobrir como não só um amante dos animais, mas um apaixonado pela vida. Passou então a viver o que acreditava e com isso arrebata inspiração até hoje.
O nosso heroi e o nosso monge, nada mais são do que uma versão vivida e humana dos nossos sonhos. A probabilidade de que nos perderíamos com os poderes do HA ou a riqueza dos pais de FA é tão grande que me leva a crer que Kant na verdade estava com medo de negar a sua condição de ser humano: erramos e podemos aprender com isso. Ou não.
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